ESCLEROSE SISTÊMICA

O que é Esclerodermia?

    A esclerodermia é um termo utilizado para descrever a presença de espessamento e endurecimento da pele. A esclerodermia é a marca principal de um conjunto de desordens esclerodermicas. A doença pode ser apenas localizada em regiões da pele ou pode se associar com lesões em orgãos internos. Quando ocorre essa associação denomina-se a doença como esclerose sistêmica.

Quais são os tipos de Esclerodermia?

    Existem dois tipos de Esclerodermia: a forma sistêmica (Esclerose Sistêmica) e a forma localizada. A Esclerose Sistêmica afeta a pele e os órgãos internos do organismo. Esta forma é quatro vezes mais freqüente no sexo feminino que no sexo masculino e incide principalmente na quarta década. A forma localizada afeta uma área restrita da pele, poupando os órgãos internos. A Esclerodermia Localizada é mais comum nas crianças.

Quais são os tipos de Esclerodermia Localizada?

     A esclerodermia limitada é dividada em duas formas: a morféia, e a esclerodermia linear. A morféia se caracteriza por placas de pele espessada  que pode aparecer em poucas ou em várias regiões do corpo. É a forma mais comum da doença localizada. Na esclerodermia linear, as áreas de espessamento da pele são em forma de linha no sentido vertical do corpo.

    A Esclerodermia localizada pode ser leve, com apenas leve atrofia (perda de tecido) da área afetada, mas em algumas ocasiões pode ser mais grave,  extendendo-se aos tecidos subjacentes (tecido subcutâneo, músculos e ossos), podendo inclusive retardar o crescimento ósseo de uma criança.

 Como é o tratamento da Esclerodermia Localizada?

    Ainda não existe cura para a Esclerodermia Localizada. Alguns medicamentos orais e tópicos podem alterar a progressão da doença; no entanto, esta afecção geralmente se torna inativa e melhora espontaneamente. A fisioterapia é muito importante para preservar a mobilidade das articulações acometidas até que haja melhora do quadro cutâneo. Naqueles pacientes com extenso envolvimento da face, a cirurgia plástica reparadora tem apresentado bons resultados.

 Quais são as manifestações clínicas da Esclerose Sistêmica?

    A principal manifestação da esclerose sistêmica é o fenômeno de Raynaud (foto), que ocorre em mais de 90% dos pacientes. O paciente com essa alteração apresenta alteração da coloração dos dedos quando expostos ao frio ou estresse. Inicialmente os dedos tornam-se pálidos ou azulados, e posteriormente podem se tornar avermelhados. As mãos e os pés são os mais afetados, mas pode também afetar as orelhas, a língua e o nariz. Além disso, pequenos cortes nas mãos podem apresentar uma cicatrização muito lenta, e por vezes evoluem espontaneamente para ulcerações. Associadas a essas alterações cutâneas também se observa na Esclerose Sistêmica, o acometimento pulmonar, gastrointestinal e cardíaco.

 Quais são os tipos de Esclerose Sistêmica ?

    A Esclerose Sistêmica é dividida em duas formas clínicas, de acordo com a extensão do acometimento da pele: limitada e difusa. A forma limitada tende a apresentar acometimento visceral mais leve que a forma difusa. A Esclerose Sistêmica Limitada freqüentemente é chamada de forma CREST. Este acrônimo significa: C de calcinose (depósitos cálcicos na pele); R de Raynaud; E de esôfago; S de esclerodactilia (em inglês, significa um afilamento que ocorre nos dedos desses pacientes); e T de telangiectasias (presença de alguns pequenos vasos visíveis sob a pele). Alguns desses pacientes com a forma limitada podem também apresentar uma condição chamada de hipertensão pulmonar. Esses pacientes podem permanecer sem sintomas ou podem apresentar falta de ar que varia de leve a bastante intensa.

Como é o tratamento da Esclerose Sistêmica?

    Até o presente momento, não há cura para a Esclerose Sistêmica, mas existem tratamentos disponíveis. Para evitar o Fenômeno de Raynaud, deve-se manter as extremidades aquecidas com luvas e meias e evitar lavar as mãos com água fria. Além disso, há algumas terapêuticas sendo experimentadas e que podem representar uma esperança para o futuro, principalmente o transplante de medula óssea.

Fonte: Uptodate. Overview  and classification of escleroderma disorders

Site da sociedade brasileira de reumatologia

FIBROMIALGIA

O que é Fibromialgia?

A Fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta, principalmente, com dor difusa ou em mais de três partes do corpo, associada a sintomas como cansaço, fadiga, dificuldade para dormir, formigamentos/dormências, depressão, dores de cabeça, tontura e alterações intestinais, dificuldade de concentração e memória. Muitas vezes fica difícil definir se a dor é nos músculos ou nas articulações. Os pacientes costumam dizer que não há nenhum lugar do corpo que não doa. Uma característica da pessoa com Fibromialgia é a grande sensibilidade ao toque e à compressão de pontos nos corpos.

Qual é a causa da Fibromialgia?

Não existe ainda uma causa definida, mas há algumas pistas de porque as pessoas têm Fibromialgia. Os estudos mostram que os pacientes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem Fibromialgia. Na verdade, seria como se o cérebro destes pacientes interpretasse de forma exagerada os estímulos, ativando todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. A Fibromialgia também pode aparecer depois de eventos graves na vida de uma pessoa, como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crônica, que progride para envolver todo o corpo. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem Fibromialgia e outras não ainda é desconhecido.

Quer dizer que a dor é apenas fruto da minha imaginação?

Não, hoje não se discute é se a dor do paciente é real. Com técnicas de pesquisa que permitem ver o cérebro em funcionamento em tempo real, descobriu-se que pacientes com Fibromialgia realmente estão sentindo a dor que dizem sentir. Mas é uma dor diferente, em que não há lesão no corpo, e, mesmo assim, a pessoa sente dor. Mesmo não sabendo a causa exata, sabemos que algumas situações provocam piora das dores em quem tem Fibromialgia. Alguns exemplos são: excesso de esforço físico, estresse emocional, alguma infecção, exposição ao frio, sono ruim ou trauma.

Que grupo de pessoas é mais afetada pela síndrome?

No Brasil está presente em cerca de 2% a 3% das pessoas, o que a torna uma das doenças mais frequentes entre os pacientes reumatológicos. Afeta mais mulheres que homens e costuma surgir entre os 30 e 55 anos. Porém, existem casos em pessoas mais velhas e também em crianças e adolescentes.

Qual é o principal sintoma da Fibromialgia?

O principal sintoma da Fibromialgia é a dor generalizada (dor no corpo todo), percebida especialmente nos músculos. É muito comum que o paciente sinta dificuldade de definir onde está a dor, e muitos referem-na como sendo “nos ossos”, nas “juntas” ou “nas carnes”. Como os músculos estão presentes por todo o corpo, este é o motivo da confusão. Importante notar que não só o paciente refere dor espontânea, mas também bastante dolorimento ao toque. Comumente o paciente com Fibromialgia refere que não pode ser abraçado ou mesmo acariciado.

Quais outros sintomas eu posso ter?

Além da dor, o cansaço é uma queixa frequente na Fibromialgia. Muitas vezes é difícil diferenciar este cansaço da sonolência. As alterações do sono são extremamente comuns na Fibromialgia, e as primeiras alterações objetivas desta doença foram detectadas no estudo do sono (polissonografia) destes pacientes. Muitas vezes o paciente até dorme um bom número de horas, mas acorda cansado – é o famoso “sono não reparador” da Fibromialgia. Também pode ocorrer insônia, sensação de pernas inquietas antes de dormir e movimentos da perna durante o sono. Como a Fibromialgia é uma doença em que as sensações estão amplificadas, são comuns as queixas em outros lugares do corpo, como dor abdominal, queimações e formigamentos, problemas para urinar e dor de cabeça. Como outros pacientes que sofrem de dor crônica, existem também as queixas de falta de memória e dificuldades na concentração. Os distúrbios do humor como ansiedade e depressão são comuns e importantes.

Por que algumas pessoas não acreditam na Fibromialgia? 

A Fibromialgia é uma doença em que não existe uma lesão dos tecidos – não há inflamação ou degeneração. Com estudos mais modernos, verificou-se que a dor na Fibromialgia é causada por uma amplificação dos impulsos dolorosos, como se a pessoa tivesse um “controle de volume” desregulado. Isso só é visto em exames muito específicos, em pesquisas científicas. Na prática clínica, não há como provar que a pessoa está sentindo dor crônica – a reação corporal é muito diferente do que na dor aguda. O paciente não está agitado, suando frio, gritando como acontece em um infarto ou uma cólica renal. Na dor crônica, na maioria das vezes a pessoa comunica-se bem e parece calma. A reação à dor nota-se na presença de depressão, afastamento social, alteração do sono e cansaço. Tudo isso leva algumas pessoas, até mesmo profissionais de saúde, a terem dúvidas se os sintomas são reais ou não. Mas a experiência acumulada de anos, as histórias de dor muscular e outros sintomas sendo descritos da mesma maneira em vários locais do mundo, e mais recentemente a visualização do cérebro do paciente com Fibromialgia em funcionamento, permitem uma classificação bastante adequada dos pacientes como tendo esta condição.

Por que se fala tanto de depressão quando se toca no assunto Fibromialgia?

Tanto a ansiedade quanto a depressão influenciam negativamente a Fibromialgia, de forma semelhante ao que ocorre em outras doenças. A depressão é muito frequente na Fibromialgia, estando presente em até 50% dos pacientes. Desta forma, frequentemente observamos pacientes com Fibromialgia e depressão. Ambas as condições atuam como um círculo vicioso, piorando o quadro. O paciente deprimido também apresenta distúrbio do sono e fadiga, sintomas comuns na Fibromialgia. É importante ressaltar, no entanto, que uma parcela considerável de pacientes com Fibromialgia não apresenta depressão, de forma que ambas, depressão e Fibromialgia, são condições clínicas diferentes. Da mesma forma, vários estudos confirmaram que a dor sentida pelo paciente com Fibromialgia é real, e não imaginária ou “psicológica” como alguns supunham. Quando presentes em um mesmo paciente, tanto a depressão quanto a Fibromialgia devem ser adequadamente tratadas.

Por que a Fibromialgia piora quando ficamos tristes ou deprimidos?

A interpretação da dor no cérebro sofre varias influências, dentre elas das emoções. As emoções positivas, como alegria e felicidade, podem diminuir o desconforto da dor e as negativas, como tristeza e infelicidade, podem aumentar este desconforto. Em parte isto é explicado pelos neurotransmissores (substâncias químicas cerebrais que conectam as células nervosas), como a serotonina e a noradrenalina, que têm papel importante na interpretação da dor e na depressão. Desta forma, pacientes com Fibromialgia que não estejam bem tratados do quadro depressivo terão níveis mais elevados de dor. É importante ressaltar que a piora observada no quadro doloroso é real e não é “psicológica”.

Como é feito o diagnóstico da Fibromialgia?

O diagnóstico da Fibromialgia é essencialmente clínico. O médico durante a consulta obtém algumas informações que são essenciais. Os sintomas mais importantes são dor generalizada, dificuldades para dormir ou acordar cansado e sensação de cansaço ou fadiga durante todo o dia. Alguns outros problemas podem acompanhar a Fibromialgia como depressão, ansiedade, alterações intestinais ou urinárias, dor de cabeça frequente, entre outros. Ao examinar, o médico pode observar uma grande sensibilidade em pontos específicos dos músculos. Estes pontos são conhecidos como pontos dolorosos. Hoje não se valoriza muito a quantidade de pontos que estão dolorosos, mas a sua presença ajuda nesse diagnóstico. Uma organização médica americana chamada Colégio Americano de Reumatologia criou alguns critérios para ajudar esse diagnóstico. Eles incluem dor difusa e os pontos dolorosos já citados. Esses critérios são muito utilizados para realizar pesquisas sobre Fibromialgia, mas no dia a dia o principal é a avaliação médica. Ainda na consulta podem ser utilizados alguns questionários que ajudam tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento dos pacientes. Entre esses questionários eu citaria o Índice de Dor Generalizada, o Índice de Severidade dos Sintomas e o Questionário de Impacto da Fibromialgia.

Existe algum exame que faça o diagnóstico da Fibromialgia?

Em relação ao diagnóstico, não existem exames para Fibromialgia. O diagnóstico é totalmente clínico e feito através dos sintomas e sinais. O seu médico pode pedir exames para excluir doenças que se apresentam de forma semelhante à Fibromialgia ou ainda para detectar outros problemas que podem ocorrer junto e influenciar na sua evolução.

Existe cura para a Fibromialgia? A Fibromialgia vai me deixar aleijado ou deformado?

A Fibromialgia é uma condição médica crônica, significando que dura por muito tempo, possivelmente por toda a vida. Entretanto, pode ser confortador saber que, embora não exista cura, a Fibromialgia não é uma doença progressiva. Ela nunca é fatal e não causa danos às articulações, aos músculos, ou órgãos internos. Embora ainda não tenha sido descoberta a cura para Fibromialgia, em muitas pessoas ela melhora com o tempo, e há casos nos quais os sintomas retrocedem quase totalmente. A Fibromialgia não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle. Isso porque, na pessoa predisposta, suas manifestações ocorrem ao longo da vida, na dependência de uma gama de fatores físicos e emocionais. Nesse contexto, as manifestações devem ser tratadas na direta proporção de sua gravidade. Porém, com o tratamento atual da Fibromialgia é possível a pessoa experimentar ficar sem dor ou com a dor em um nível muito baixo. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente. Mais do que em outros problemas, o tratamento da Fibromialgia depende muito do paciente. O médico deve atuar mais como um guia do que somente uma pessoa que fornece remédios. É muito importante que a pessoa com Fibromialgia entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida, pelo risco de a Fibromialgia voltar se esta atividade for interrompida. Diferentemente de outras enfermidades reumatológicas, como a Artrite Reumatoide e Artrose, a Fibromialgia não causa deformidades ou incapacidades físicas graves. Entretanto, podemos observar, em um número significativo de pacientes, uma queda importante da qualidade de vida, com reflexos nos aspectos social, profissional e afetivo destes pacientes. Uma questão central para os fibromiálgicos é a dificuldade para a execução de tarefas, profissionais ou do cotidiano. Os pacientes mostram-se extremamente inseguros quanto ao desempenho pessoal, gerando um estado crônico de revolta em relação a sua saúde. Queixam-se frequentemente da redução da qualidade do seu trabalho, com consequente influência em sua vida profissional e mesmo na renda familiar. Comuns também são relatos de indiferença por parte de amigos e familiares, problemas conjugais e diminuição da frequência de atividades de lazer e mesmo religiosas. Cerca de 70% dos pacientes com Fibromialgia referem que a doença afeta negativamente a sua vida sexual, na mesma proporção para o(a) companheiro(a). Os familiares também sofrem neste convívio com os portadores de fibromialgia, devido ao intenso estresse psicológico. É importante salientar, que a gravidade da Fibromialgia pode estar também relacionada com as diversas outras doenças crônicas como a Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Artrose, Tendinites, entre outras que afetam o aparelho osteoarticular. Da mesma forma, torna-se mais grave quando associada aos distúrbios psiquiátricos como a depressão e ansiedade.

Devo fazer algum tipo de atividade física?

Sim. Além dos muitos benefícios à saúde, a atividade física é reconhecidamente um método não medicamentoso de grande impacto na melhora da dor, do humor e da qualidade de vida dos pacientes com Fibromialgia. Constitui-se, assim, uma intervenção fundamental, aliada às medidas medicamentosas, para o tratamento da Fibromialgia. Em um próximo texto iremos discutir mais a respeito dos exercícios físicos para fibromialgia.

A acupuntura pode melhorar meus sintomas?

A acupuntura tem sido utilizada para tratamento de dores há séculos, porém sem evidências científicas fortes. Vários trabalhos realizados apresentam resultados contraditórios, de forma que não há consenso em recomendá- la para pacientes com Fibromialgia. Mesmo os trabalhos de autores orientais, adeptos da prática, em que o resultado é de uma eficácia maior, afirmam que há necessidade de pesquisas mais aprofundadas, com maior número de pacientes. Ou seja, ainda não há um consenso sobre sua utilidade e ação terapêutica na Fibromialgia.

O que é terapia cognitiva-comportamental? Como ela pode me ajudar?

A psicoterapia cognitiva-comportamental (TCC) leva principalmente em conta a forma como cada um age perante os acontecimentos do dia a dia, para tentar entender e modificar suas emoções e seu modo de agir. Desta forma, a TCC dá uma grande ênfase aos pensamentos do cliente e à forma como este interpreta o mundo, sendo que seu objetivo é ajudá-lo a aprender novas estratégias para atuar no ambiente de forma a promover mudanças necessárias. Na Fibromialgia, a TCC poderia auxiliar o paciente a entender e interpretar melhor suas atitudes frente à dor e demais sintomas da Fibromialgia para enfrentá-los de forma mais eficaz. Em Fibromialgia, os resultados são conflitantes, com trabalhos demonstrando resultados variáveis com melhora na dor, depressão e capacidade funcional em curto prazo; outros somente se associados à farmacoterapia, mas não mantém os efeitos após um ano.

Por que os antiinflamatórios ou outros remédios para dor não me ajudam?

Os anti-inflamatórios e os analgésicos simples são excelentes medicamentos para tratar as dores associadas a dano tecidual. Como exemplo, citamos a dor causada por uma contusão muscular. Nesta situação temos um dano no tecido muscular que origina a dor e o anti-inflamatório atuará para tratá-la e sanar a inflamação muscular. Na Fibromialgia não sabemos ainda a causa exata da dor. Não identificamos nenhum dano tecidual. O que ocorre é que nos pacientes com Fibromialgia há uma sensibilidade maior à dor comparada a pessoas sem Fibromialgia. Isso acontece porque o cérebro das pessoas com Fibromialgia interpreta exageradamente os estímulos nervosos. Os analgésicos e anti-inflamatórios não são eficazes na Fibromialgia, pois não conseguem regular o cérebro para diminuir a sensação exagerada de dor que é sentida pelos pacientes.

Por que somos tratados com medicamentos para depressão e convulsão se não sofremos disso?

Como temos citado aqui, na Fibromialgia há toda uma falta de regulação da dor por parte do cérebro. Isto ocorre em parte por alterações dos níveis de neurotransmissores no cérebro. Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, as células nervosas. Estas células enviam informações a outras células por meio de neurotransmissores. Existem neurotransmissores que agem diminuindo a dor e outros que a intensificam. Os antidepressivos e neuromoduladores atuam aumentando a quantidade de neurotransmissores que diminuem a dor, sendo por isso eficazes e utilizados no tratamento da Fibromialgia.

Fonte: Adaptado da cartilha de fibromialgia da Sociedade Brasileira de Fibromialgia

GOTA

O que é gota?

A gota é uma forma de artrite que causa episódios súbitos e graves de dor, sensibilidade, rubor, calor e tumefação das articulações. Afeta em geral uma articulação em cada vez, com freqüência a articulação maior do dedo grande do pé, quando então se chama podagra. Pode afetar também outras articulações, como as do joelho, tornozelo, pé, mão, punho e cotovelo.

 A gota em geral não “passa” de uma articulação para outra. Quem tem gota em uma articulação não vai necessariamente tê-la em outra.

Imagem 1: tofo gotoso em terceiro dedo

A dor e a tumefação da gota são causadas por cristais de ácido úrico depositados na articulação. O ácido úrico é uma substância que se forma normalmente quando o organismo decompõe produtos de excreção denominados purinas. O ácido úrico em geral dissolve-se no sangue e passa para a urina através dos rins. Na pessoa com gota, os níveis de ácido úrico no sangue ficam tão altos que se formam cristais de ácido úrico, que se depositam nas articulações e em outros tecidos, causando inflamação do revestimento da articulação (sinóvia).

A gota ocorre geralmente em três fases:

  • Dor e tumefação súbitas na articulação, que em geral cessam ao cabo de 5 a 10 dias
  • Um período sem sintoma algum, porém podendo ser seguido de outros episódios agudos graves
  • Após alguns anos, sem nenhum tratamento, podem ocorrer tumefação e rigidez persistentes, com dor leve a moderada, em uma ou mais articulações

A gota pode afetar as pessoas de diferentes formas. Algumas pessoas têm um episódio e podem nunca mais vir a ter outros problemas articulares. Outras têm episódios dolorosos freqüentes, que podem evoluir para rigidez e lesão persistentes das articulações.

A gota pode ser controlada e até prevenida com medicações. O tratamento apropriado pode ajudar a evitar inteiramente os episódios agudos e a lesão articular de longo prazo.

Episódios Agudos

Em geral os episódios de gota desenrolam-se com muita rapidez. O primeiro ataque de gota ocorre freqüentemente à noite. Você pode ir para a cama sentindo-se bem, para então acordar no meio da noite com intensa dor articular. Podem-se observar durante um episódio:

  • dor e tumefação articulares súbitas e graves
  • pele lustrosa avermelhada ou violácea ao redor da articulação
  • extrema sensibilidade na área da articulação

No início, os episódios são em geral poucos e bem espaçados, durando tipicamente uma semana ou menos e desaparecendo completamente. Se a doença não for controlada pela medicação, podem ocorrer episódios mais freqüentes e com duração mais prolongada. Os episódios repetidos podem lesar a(s) articulação(ões) afetada(s). Se suas articulações tiverem sido lesadas, podem ocorrer rigidez e limitação de movimentos após um episódio.

    Um episódio de gota pode ser desencadeado por:

  • traumatismos articulares
  • ingestão excessiva de álcool
  • cirurgias
  • uso de determinados diuréticos
  • doenças graves e súbitas
  • dietas de impacto
  • quimioterapia
  • ingestão excessiva de certos alimentos

Formação dos Tofos

Após vários anos, os cristais de ácido úrico podem acumular-se na articulação e nos tecidos circunjacentes, formando grandes depósitos denominados tofos, que têm o aspecto de caroços debaixo da pele. Os tofos são encontrados com freqüência ao redor das articulações afetadas por ataques de gota anteriores, em cima dos dedos das mãos e dos pés e na borda externa da orelha.

Figura 2: Ácido úrico na articulação

Outros Problemas

    Os cristais de ácido úrico podem formar pedras nos rins, nos ureteres (tubos que ligam os rins com a bexiga), ou na própria bexiga. Vários fatores podem permitir a formação desses depósitos. Podem ocorrer depósitos quando você não bebe a quantidade de líquidos suficientes para que a urina possa dissolver todo o ácido úrico. Podem também formar-se depósitos em decorrência de anormalidades metabólicas, como, por exemplo, a incapacidade do organismo de tornar a urina menos ácida. A gota pode associar-se com a pressão arterial alta ou com as doenças renais. Como esses problemas podem levar os rins a funcionarem mal, seu médico pesquisará se há complicações e as tratará quando presentes.

CAUSAS DA GOTA

    Quase todas as pessoas com gota têm níveis aumentados de ácido úrico no sangue (hiperuricemia). Há muitas pessoas, porém, que têm hiperuricemia mas não têm gota. 

    A hiperuricemia é causada por uma das situações seguintes, ou por ambas:

• Os rins não conseguem livrar-se do ácido úrico com rapidez suficiente.

• O organismo produz ácido úrico demais.

    O uso de certos diuréticos pode causar hiperuricemia. Utilizam-se os diuréticos para livrar o organismo do excesso de líquidos e para diminuir a pressão arterial. Os diuréticos, entretanto, podem comprometer a capacidade dos rins de eliminar o ácido úrico, aumentando desse modo os níveis de ácido úrico no sangue.

    Podem também desempenhar papel importante na hiperuricemia e na gota as características hereditárias e fatores como dieta, peso e uso de álcool.

QUEM CONTRAI GOTA?

    A gota afeta aproximadamente 2,1 milhões de americanos. Pode ocorrer em qualquer idade, mas tipicamente afeta homens na faixa dos 40 a 50 anos de idade.

    Antes acreditava-se incorretamente ser a gota doença de abastados, já que parecia ser causada pela ingestão de alimentos substanciosos e de excesso de álcool. Muito embora tenham seu papel nos episódios de gota, e como tal devem ser controlados, a dieta e o excesso de bebida não constituem a causa principal desse transtorno.

DIAGNÓSTICO

    Para diagnosticar gota, seu médico o examinará e pedirá que descreva seus sintomas. O médico pode colher amostra de sangue para determinar os níveis de ácido úrico. Se seus níveis de ácido úrico no sangue estiverem elevados, isso não significa necessariamente que você  tenha gota, da mesma forma que níveis normais não significam que você não tenha gota.

    O médico pode colher líquido de uma articulação suspeita de estar afetada pela gota e pesquisar através do microscópio a presença de cristais de ácido úrico nesse líquido. O achado de cristais de ácido úrico no líquido articular constitui a forma mais segura de se fazer o diagnóstico da gota.

TRATAMENTO

    O tratamento consiste principalmente em tomar medicamento(s) e controlar a dieta. Os objetivos são aliviar a dor, abreviar a duração da inflamação durante um episódio agudo, prevenir episódios futuros e evitar lesões nas articulações.

MEDICAÇÃO

    O tratamento deve ser adaptado para cada pessoa e pode necessitar de alterações de tempos em tempos. As pessoas que têm hiperuricemia, mas sem outros problemas, em geral, não necessitam de medicação.

    Utilizam-se as medicações para:

• aliviar a dor e a tumefação do episódio agudo

• prevenir episódios futuros

• prevenir ou tratar os tofos

• evitar cálculos de ácido úrico nos rins

    Por serem todas elas potentes, é preciso entender o por quê do uso dessas drogas, quais efeitos colaterais podem ocorrer e o que fazer se surgirem problemas.

MEDICAÇÕES PARA EPISÓDIOS AGUDOS

    A colchicina (Colchis) vem sendo usada no tratamento da gota há séculos.

    Ela alivia a dor e a tumefação dos episódios agudos. Toma-se em geral na forma de comprimidos até a melhora dos sintomas. Essa droga funciona melhor quando se começa a tomá-la nas primeiras horas do episódio.

    Caso a colchicina (Colchis) provoque efeitos colaterais, tais como: diarréia, náuseas e cólicas abdominais, deve-se interromper a medicação e notificar o médico. Para evitar episódios futuros, pode ser necessário continuar tomando uma pequena dose de colchicina (Colchis) após a resolução do episódio.

    Utilizam-se também para aliviar a dor e a tumefação do episódio agudo de gota, os antiinflamatórios não-esteróides (AINEs). São medicações tão eficazes quanto a colchicina (Colchis) e podem ter efeitos colaterais menos freqüentes. Podem, contudo, decorrer do uso de AINEs, efeitos colaterais como irritação do estômago, dor na cabeça, erupções na pele, retenção de líquidos ou problemas nos rins e às vezes úlceras do estômago.

    Os inibidores seletivos da COX-2, como o celecoxib, o rofecoxib e, no Brasil, o etoricoxib constituem uma subcategoria de AINEs que podem ser mais seguros para o estômago. Todos os AINEs atuam bloqueando a produção de substâncias denominadas prostaglandinas. Os AINEs tradicionais, entretanto, não somente bloqueiam as prostaglandinas na articulação afetada pela gota como também no estômago, onde as prostaglandinas conferem proteção contra a irritação estomacal. Os inibidores da COX-2 bloqueiam as prostaglandinas somente na articulação afetada pela gota.

    As medicações corticoesteróides, como a prednisona, são semelhantes ao cortisol, hormônio que ocorre naturalmente no organismo e podem ser administradas via oral. Em determinados casos, os corticoesteróides podem ser injetados diretamente numa articulação inflamada para aliviar a dor e a tumefação de um episódio agudo de gota como por exemplo a triancinolona (Triancil).

MEDICAÇÕES PARA O CONTROLE DOS NÍVEIS DE ÁCIDO ÚRICO

    As medicações a serem discutidas nos parágrafos seguintes são utilizadas no tratamento, na prevenção dos tofos e na prevenção de futuros episódios de gota, mas não aliviam a dor e a inflamação de um episódio agudo. Essas medicações começam a agir lentamente, e podem provocar mais episódios de gota quando se começa a tomá-las durante um episódio agudo ou pela primeira vez. No início pode ser necessário tomar ao mesmo tempo colchicina (Colchis) ou um AINE por vários meses a fim de evitar tais episódios.

    Muitas pessoas com gota não precisam desses remédios. Se tiver que tomá-los, porém, pode ser necessário que o faça pelo resto da vida a fim de evitar problemas futuros.

    O alopurinol reduz a quantidade de ácido úrico no sangue e na urina diminuindo a velocidade com que o organismo produz ácido úrico. É o melhor remédio para a maior parte das pessoas com gota que precisam controlar o ácido úrico através de medicamentos.

    São efeitos colaterais ocasionais do alopurinol as erupções na pele e a irritação do estômago. Os problemas de estômago em geral desaparecem à medida que o organismo se adapta à droga. Em casos raros, o alopurinol pode provocar reação alérgica grave. Caso tenha erupções na pele juntamente com urticária, coceira, febre, náuseas ou dor muscular, entre imediatamente em contato com seu médico. Essa droga pode também deixar as pessoas sonolentas. Procure saber como reage a esse medicamento antes de dirigir veículos ou de operar maquinário.

    Utilizam-se ocasionalmente o probenecida, a sulfinpirazona e no Brasil a benzobromarona, para reduzir os níveis de ácido úrico no sangue através do aumento da quantidade de ácido úrico que passa para a urina. Eles ajudam a dissolver os tofos e a prevenir os depósitos de ácido úrico nas articulações. Essas drogas são contra-indicadas nas pessoas com história ou portadoras de cálculos renais ou quando têm baixo volume urinário.

    Em geral essas drogas tomam-se por via oral diariamente, são iniciadas em doses baixas. Recomenda-se, muitas vezes, dosagem de uricosúria nas 24 horas, manutenção de volume urinário maior que 1500ml/dia e alcalinização da urina. O médico ajustará a quantidade de medicação a ser tomada com base nos níveis de ácido úrico no sangue. Uma vez que os níveis de ácido úrico no organismo estejam normais, não haverá mais depósitos de cristais nas articulações. Os cristais já presentes começarão a dissolver-se.

    Nota: Essas duas drogas são menos eficazes em pessoas com doenças dos rins. Não use sem receber orientação médica.

    São efeitos colaterais comuns do probenecida e da sulfinpirazona as náuseas, erupções na pele, irritações do estômago e dores de cabeça.

    Embora as erupções na pele possam às vezes ser sérias, os outros efeitos colaterais em geral não são, e podem desaparecer à medida que o organismo habitua-se à medicação. Caso prossigam quaisquer efeitos colaterais, entre em contato com seu médico.

    Dica: Tome essas medicações com bastante líquido. Não tome probenecida ou sulfinpirazona com aspirina, pois esta bloqueia o efeito dessas drogas nos rins. Leia os rótulos de toda medicação de receituário médico ou de venda livre que tomar, a fim de certificar-se de que não contém aspirina.

    Seguem outras dicas para tomar essas medicações:

• Tome seu remédio exatamente como seu médico instruir.

• Não tome doses duplas dos remédios.

• Converse com seu médico a respeito de TODA medicação que estiver tomando. Isso inclui drogas de venda livre, como aspirina ou diuréticos, e quaisquer suplementos da dieta.

    A quantidade de medicações que você vai tomar depende dos seus sintomas e dos resultados dos seus exames de laboratório. Você pode precisar tomar somente uma droga. Por outro lado, pode ser necessário tomar uma combinação das drogas enumeradas aqui. Nem todas as pessoas com gota necessitam dessas drogas. Se você vai ou não tomá-las, depende da avaliação do seu médico e de sua disposição em assumir um compromisso vitalício de tomar medicação diária.

Dieta

Há muitos mitos a respeito de dieta e gota. Eis os fatos:

1. A obesidade pode estar ligada a altos níveis de ácido úrico no sangue. Se você estiver acima do peso, estabeleça com seu médico um programa de perda de peso. Não permaneça em jejum, nem tente fazer dieta muito restritiva, pois isso pode aumentar seus níveis de ácido úrico e piorar a gota. Se não estiver acima do peso, monitore cuidadosamente sua dieta a fim de evitar ganho de peso.

2. Em geral você pode comer o que quiser com moderação. Se tiver cálculos renais devido ao ácido úrico, pode ser necessário evitar ou limitar alimentos que aumentem os níveis de ácido úrico, como os enumerados abaixo. Converse com seu médico ou com o nutricionista a respeito dos alimentos a serem evitados.

3. Você pode tomar café e chá, mas deve limitar a quantidade de álcool que ingere. O álcool em excesso, especialmente a cerveja, o vinho e outros podem aumentar seus níveis de ácido úrico e desencadear um episódio de gota, por isso, caso você beba, não deixe de comunicar ao seu médico.

4. Tome pelo menos 10 a 12 copos de 250 mililitros de líquido não-alcoólico por dia, especialmente se tiver cálculos renais. Isso vai ajudar a eliminar os cristais de ácido úrico do seu organismo.

ALIMENTOS A SEREM EVITADOS

    Certos alimentos podem aumentar os níveis de ácido úrico. Para balancear sua dieta, consulte o nutricionista. Pode ser necessário reduzir as quantidades ingeridas dos seguintes alimentos:

• Sardinhas, anchovas e frutos do mar

• Aves domésticas e carnes

• Miúdos (rim, fígado)

• Legumes (feijão, soja, ervilha